sexta-feira, 19 de abril de 2013


A fazenda que não era modelo
Na Fazenda das Acácias está tudo revirado. Parece fruto da cachaça ruim que andam dando para o Coronel Teobaldo, que acabou de arrematar as terras do falecido Coronel Pranteneu. Este, por sua vez, entrou de gaiato no certame dos poderosos, foi excomungado até por pai de santo e virou peça de museu lá pelas bandas de Jupiara.
Mas voltando às Acácias, a coisa ta danada, como diria Vô Sabino. A fazenda está entregue aos feitores de plantão e ninguém quer saber de história, tradição e, principalmente, do povo que vive dela, sejam os empregados brancos ou escravos. O mato vai crescendo por todos os lados e já ameaça entrar pelas janelas do casarão. Muita sujeira por fora e por dentro. Curral sem raspagem, horta seca e morta, erva daninha tomando conta do laranjal e de outros pés. Dinheiro de leite e café que ninguém sabe onde está. Criação morrendo e empregado fraco, doente, saúde ruim. Vantagem, mesmo que pouca, só para feitor e capitão do mato. E isso é o que mais tem lá. O sol está sem brilho no alto da serra.
O povo de Vila Serena diz, entre dentes, que o problema é o seu seleto grupo de comparsas, que a exemplo de outros grupos de coronéis, fidalgos, senhores de engenho, fazendeiros pequenos e grandes e alguns barões, só mudam o endereço e a identificação. Os objetivos sempre são os mesmos: fazer de seu povo o motriz de seus interesses pessoais e alimentar as ratazanas de seu porão.
No bazar de Dondinha, semana dessas, só se falava nisso e no exemplo claro da máquina de sujeira que virou aquela fazenda, principalmente por contratar para tomar conta do galinheiro o maior criador de raposas da região, o Tonzito Diamante. Andam dizendo que as raposas estão gordas de dar gosto. O povo chora e diz que a Fazenda das Acácias não tem um coronel de verdade já faz tempo. Só foi tomada por barão louco e corvo velhaco nos últimos anos.
Enquanto isso sofrem empregados brancos, pés de laranja, galinhas, hortas e escravos. Todos à procura do sol no alto da serra.