Viva
Bukowski
Não sei se pelo
momento ou pelo acesso a pontos de sua obra que me chamaram bastante atenção, senti
ânsia em ser um discípulo de Bukowski (recolhido devidamente a minha
insignificância, pois talvez me faltem talento e fígado).
Num copo cheio de
paradoxos, Bukowski ganhou respeito e discriminação, foi amado e odiado e teve
fama e rejeição por apenas um motivo: ser o que era. Sem falsetes, tipos,
adaptações ao meio e floreios para agradar esse ou aquele. Bukowski era, sem
entrar no mérito técnico-literário, o sonho de ser de todo escritor.
Principalmente dos adeptos ao submundo dos copos, mulheres, noite e boêmia.
Ser o que era e falar
o que pensava foi exatamente o que me excitou em Bukowski. Ele se apresentava ao mundo, se inseria nele,
tecia opiniões sobre seu meio e escrevia sua consistente e desenfreada obra sem
se preocupar com os resultados. Não media ações. Não vendia suas opiniões para
se enquadrar aos padrões da sociedade. Bukowski vivia. Se para alguns,
tratava-se apenas de um bêbado desbocado, não importa. Ele vivia.
Não tenho talento
para tanto, mas tentarei ser um discípulo de Bukowski. Talvez já seja um bom
aluno no quesito copo e ainda um aspirante inapto no campo da literatura. Mas o
mais importante é tentar segui-lo no campo da verdade e da opinião sem preço.
Não precisamos concordar com ele, claro, mas seu tapa na hipocrisia
estabelecida pela sociedade basta.
E VIVA Bukowski! E viva Arrico Barnabé!
E viva Torquato Neto! E viva Plínio Marcos! Obrigado Tandinha!
E viva Bukowski!“É ilegível e está demasiadamente valorizado. Só que as pessoas não querem ouvir isso. Ninguém pode atacar templos. Shakespeare foi fixado à mente das pessoas ao longo dos séculos. Você pode dizer que fulano é um péssimo ator, mas não pode dizer que Shakespeare é uma m… Quando alguma coisa dura muito tempo, os esnobes começam a se agarrar a ela como pás de um ventilador. Quando os esnobes sentem que algo é seguro, se apegam. E se você lhes disser a verdade, eles se transformam em bichos. Não suportam a negação. É como atacar o seu próprio processo de pensamento. Esses caras me enchem o saco.”