sexta-feira, 5 de abril de 2013


Viva Bukowski

 Fui apresentado ao poeta, contista e romancista alemão Henry Charles Bukowski (1920-1994) pelas mãos de minha irmã Alessandra Guimarães (para mim, Tandinha).  Na ocasião, lembrava vagamente de sua figura e de alguns trechos de sua obra, sempre tocante. Lembrava também do filme Barfly, baseado em sua vida e obra e estrelado pelo ator Mickey Rourke, se não me engano em 1987.

Não sei se pelo momento ou pelo acesso a pontos de sua obra que me chamaram bastante atenção, senti ânsia em ser um discípulo de Bukowski (recolhido devidamente a minha insignificância, pois talvez me faltem talento e fígado).

Num copo cheio de paradoxos, Bukowski ganhou respeito e discriminação, foi amado e odiado e teve fama e rejeição por apenas um motivo: ser o que era. Sem falsetes, tipos, adaptações ao meio e floreios para agradar esse ou aquele. Bukowski era, sem entrar no mérito técnico-literário, o sonho de ser de todo escritor. Principalmente dos adeptos ao submundo dos copos, mulheres, noite e boêmia.

Ser o que era e falar o que pensava foi exatamente o que me excitou em Bukowski.  Ele se apresentava ao mundo, se inseria nele, tecia opiniões sobre seu meio e escrevia sua consistente e desenfreada obra sem se preocupar com os resultados. Não media ações. Não vendia suas opiniões para se enquadrar aos padrões da sociedade. Bukowski vivia. Se para alguns, tratava-se apenas de um bêbado desbocado, não importa. Ele vivia.
 
Apesar de não ter morrido há tanto tempo, imagino como seria Bukowski nos dias de hoje, onde se prevalece o interesse da opinião formatada para agradar uns e outros.

Não tenho talento para tanto, mas tentarei ser um discípulo de Bukowski. Talvez já seja um bom aluno no quesito copo e ainda um aspirante inapto no campo da literatura. Mas o mais importante é tentar segui-lo no campo da verdade e da opinião sem preço. Não precisamos concordar com ele, claro, mas seu tapa na hipocrisia estabelecida pela sociedade basta.

E VIVA Bukowski! E viva Arrico Barnabé! E viva Torquato Neto! E viva Plínio Marcos! Obrigado Tandinha!
E viva Bukowski!

 
Para ilustrar o que digo, apenas um exemplo: Um trecho da opinião de Bukowski sobre Willian Shakespeare:

“É ilegível e está demasiadamente valorizado. Só que as pessoas não querem ouvir isso. Ninguém pode atacar templos. Shakespeare foi fixado à mente das pessoas ao longo dos séculos. Você pode dizer que fulano é um péssimo ator, mas não pode dizer que Shakespeare é uma m… Quando alguma coisa dura muito tempo, os esnobes começam a se agarrar a ela como pás de um ventilador. Quando os esnobes sentem que algo é seguro, se apegam. E se você lhes disser a verdade, eles se transformam em bichos. Não suportam a negação. É como atacar o seu próprio processo de pensamento. Esses caras me enchem o saco.”

2 comentários:

  1. Ser citada dentro de um texto de Bukowski , já rendeu gritos...
    "Bukowski era, sem entrar no mérito técnico-literário, o sonho de ser de todo escritor. Principalmente dos adeptos ao submundo dos copos, mulheres, noite e boêmia..."
    Demais!!!!
    Luiz, Se ele lesse isto, diria : "- Vamos tomar um whisky e foda-se os moralistas de plantão..." heheh
    Amei , amei...

    E q vc seja mais um discípulo do mestre do "tapa na cara".... Sei q fará bom uso de todas as idéias limpas e sem rodeios do gde Bukowski

    ResponderExcluir
  2. corrigindo : ser citada em um texto SOBRE Bukowski... rs

    ResponderExcluir